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Meninos, eu vi

November 5, 2015

Em duas décadas, tudo mudou: do primeiro estágio em uma redação de jornal ao home office, passando por TV, internet e comunicação empresarial. E eu estava lá, para assistir de perto.

 

Em mais de 20 anos de profissão, vi a comunicação passar por mudanças radicais. Quando comecei a trabalhar, ainda no século XX, só existia a comunicação offline — e, por isso mesmo, não a chamávamos por este nome. Redação de jornal, ilha de edição de TV, produtora, escritório, por algumas semanas ou por quase uma década, estes foram meus locais de trabalho. Posso dizer, sem medo de soar veterana demais: ‘meninos, eu vi’.

 

Há poucos dias dei uma palestra na Semana da Comunicação da Universidade Estácio de Sá — campus Nova Friburgo, com o tema “A comunicação em um mundo em transformação: um depoimento”. Contei, para um auditório cheio de estudantes interessados (e interessantes), algumas das minhas aventuras no maravilhoso mundo da comunicação social. Foi mais ou menos assim...

 

 

Um futuro programado 

Um doce para quem me achar na foto :)

 

 

Quando entrei na faculdade, na virada dos anos 1990, o futuro profissional que me aguardava (assim como a todos os meus colegas) era mais ou menos previsível. Trabalharíamos em jornais, revistas, TVs (se fôssemos ousados) — isso durante uns vinte ou trinta anos. Daí, se fôssemos bem sucedidos, poderíamos nos tornar consultores, ou abrir uma assessoria, e depois de alguns anos finalmente ganhando dinheiro (jornalismo nunca foi uma boa fonte de renda), nos aposentaríamos e ponto final.

 

 

Meu primeiro estágio foi no Correio Braziliense, o principal jornal de Brasília. Passei um mês na capital federal, aprendendo a apurar matérias com um bloquinho de anotações e a redigi-las na máquina de escrever, usando as (jurássicas) laudas.

 

Depois disso, tive minhas primeiras experiências com comunicação empresarial — um estágio fazendo house organs para condomínios, minha estreia no esquema de home office, e, depois da formatura, a contratação na assessoria de comunicação de uma associação, onde além de redigir matérias institucionais, eu também diagramava. Era o fim do século XX — em menos de cinco anos, tínhamos passado da lauda datilografada à editoração eletrônica.

 

 

Crianças, isto é uma lauda. Era assim que

fazíamos jornais antes da informática.

 

 

 

Nos bastidores da notícia
 

No final dos anos 1990, a televisão era o veículo que dominava a comunicação de massa. Foi assim por muito tempo, e até hoje ainda é, de certa forma. (Não por muito tempo, como veremos.)

 

Com 25 anos de idade, tive a incrível oportunidade de trabalhar como editora de um telejornal. Não, eu não era chefe de ninguém, conforme expliquei à minha família durante os quatro anos que passei na TV Manchete. Como editora, eu era responsável por montar o material trazido da rua pelos repórteres de forma a deixá-lo pronto para ir ao ar.

 

A ilha de edição em que eu trabalhava era mais ou menos assim.

(Fonte da imagem: Fotosvanhans, no Flickr.)

 

 

Na época, eu costumava dizer, brincando, que falir uma emissora de TV no Brasil era tão difícil quanto falir uma empresa petrolífera. Era uma provocação, já que a Manchete estava mesmo na bancarrota e todos sabíamos disso. (Mal sabia eu a ironia do que estava dizendo.) Mesmo sem muitas condições de trabalho, ou talvez por isso mesmo, foi uma época divertida, criativa, intensa, como todos os primeiros empregos deveriam ser.

 

Só que depois de anos lutando com sérios problemas administrativo-financeiros, a Manchete quebrou, afinal. Da noite para o dia ficamos sem salário, sem emprego, em uma greve que não levaria a nenhuma conquista concreta e que me faria retroceder várias casas do tabuleiro.

 

 

Aí aconteceu a internet…
 

A internet comercial chegou ao Brasil em 1995. Lembro de perguntado, quando pela primeira vez me sugeriram instalar um modem em casa, para que serviria ter um e-mail. Achava que só profissionais de tecnologia precisavam disso.

 

Cinco anos depois, eu era gerente de conteúdo de um site que pretendia ser o “primeiro portal exclusivamente voltado para o público jovem do Brasil”.

 

Para começar, até então não usávamos o termo “conteúdo”. Produzíamos textos, como jornalistas, ou fotos, como fotógrafos, ou vídeos, como cinegrafistas. A noção integrada de conteúdo surgiu junto com a internet — e se consolidou com a divulgação do artigo “Content is King”, assinado por ninguém menos que o magnata do software Bill Gates, cuja Microsoft, curiosamente, relutou durante anos em tornar seu navegador um componente integrado ao quase onipresente sistema operacional Windows.

 

Pois bem, neste cenário de uma internet emergente, lá fui eu para a aventura de criar um site novo, com uma equipe de universitários, em uma empresa que durou exatos dez meses antes que a “bolha” da internet estourasse, em 2001.

 

De meados de janeiro ao final de outubro, o conceito do site mudou umas três ou quatro vezes. Apostamos em diferentes formatos para levar o tal conteúdo ao público, tentando criar o que hoje chamamos de engajamento, o que traria naturalmente os investimentos necessários até que se encontrasse um modelo de negócio viável. Não deu tempo.

 

Fico satisfeita por ter participado, ainda que tão timidamente, do surgimento da internet. Assim como os pioneiros do cinema mudo criaram a linguagem cinematográfica na Hollywood dos anos 1910, minha geração viu nascer uma revolução — nas comunicações pessoais, no entretenimento, na música, nas notícias, na mobilização política, e, sem dúvida, na própria visão de mundo que temos hoje. Isso tudo graças a essa tal de internet.

 

A experiência no “portal” foi breve, mas me abriu os olhos para algo grandioso que estava acontecendo e cujas consequências reverberam até hoje.

 

[Aqui faço uma pausa para uma digressão sobre o impacto da internet sobre nossas vidas nos últimos 15 anos. É que a mudança aconteceu tão naturalmente que não percebemos sua profundidade e magnitude. Primeiro a música ficou grátis e a indústria fonográfica, pega de surpresa, praticamente acabou. Depois, na sequência, foram atingidas pelo meteoro das tecnologias disruptivas as editoras de livros, o cinema, as empresas jornalísticas. A bola da vez é a televisão. E em breve talvez estejamos prestando as últimas homenagens às outrora poderosas empresas de telefonia.]

 

 

A hora e a vez da comunicação empresarial

 

Se o conteúdo é rei e, por outro lado, as empresas de comunicação em todo o mundo estão em busca de um modelo de negócio viável em um cenário em que as pessoas não estão dispostas nem a pagar por notícias nem a assistir propaganda. Resta às marcas buscar outras formas de se comunicar com seus públicos. Isso vem sendo feito cada vez mais por meio de mídias proprietárias, redes sociais, produtos de infotainment.

 

Com isso, muitas oportunidades surgem na área da comunicação corporativa. Sendo assim, preocupada em garantir o leitinho das crianças, iniciei uma nova fase na minha vida profissional — que, apesar de inesperada e definitivamente fora do que estava planejado, sem dúvida foi a mais rica, e não estou me referindo apenas ao contracheque e aos benefícios.

 

Trabalhar em empresa, fora das redações, pode não ter o mesmo glamour (não me lembro de nenhum filme estrelado por um assessor de imprensa). Mas em muitos aspectos é um trabalho mais desafiador, pois exige que além de produzir textos o profissional entenda de estratégias empresariais, planejamento, gestão de projetos, e, em alguns casos, até de gestão de pessoas.

 

A comunicação corporativa também traz oportunidades de participar de vários projetos diferentes. Em 12 anos atuando nesse mercado, tive oportunidade de colaborar com a criação de uma intranet, a unificação de dois grandes sites após a fusão de duas empresas, a redação de várias newsletters e house organs, a produção de um livro de memória empresarial, a elaboração de inúmeros planos de comunicação, a concepção de um relatório anual em formato digital, o lançamento de uma TV Corporativa, a estruturação de planos de mídias sociais, a edição de vídeos e muitas outras coisas, tantas que nem lembro mais.

 

Este foi o livro que escrevi, junto com uma economista da equipe. Já tive um filho, só falta plantar uma árvore.

 

 

Quando comecei na comunicação corporativa, de repente me peguei pensando: isso que estou fazendo não é mais jornalismo. Agora trabalho com outra coisa, que não sei bem o que é.

 

De fato, são momentos diferentes na minha carreira: a redação e o escritório. Mas não tenho dúvida que as competências aprendidas no jornalismo são essenciais para o que faço hoje: a busca pela informação correta, o cuidado com a clareza de estilo, a curiosidade sem barreiras que costuma me levar mais longe que profissionais de outras áreas.

 

Hoje trabalho de forma independente, pois resolvi investir no que acredito: a possibilidade de trabalho remoto que a era pós-industrial proporcionou a tantas profissões, a minha entre elas. Ainda faltam muitos anos para me aposentar, como planejava aquela estudante do fim do século XX. Talvez nunca possa me dar ao luxo de parar — tendo trabalhado em um fundo de pensão, sei bem que contar com a previdência, seja a oficial ou a privada, talvez seja um sonho impossível para minha geração. Enquanto houver alguém querendo transmitir sua mensagem, estarei por aí, tentando ajudar a levá-la ao público correto, na linguagem adequada, por meio do veículo mais eficiente.

 

 

 

 

 

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