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Longas cartas para ninguém

September 4, 2015

Dizem que ‘jornalista não é notícia’ - mas sem eles não existe notícia, e sem notícia não há cidadania plena. Por outro lado, cada vez menos pessoas estão dispostas a pagar por informação. Esta é uma conta difícil de fechar.

 

 O mercado está pegando fogo

 

Esta semana O Globo, o maior jornal do Rio de Janeiro e um dos principais veículos de comunicação do Brasil, demitiu em massa. Não se sabe o número de jornalistas atingidos pelos cortes, mas é certo que muitos nomes de peso entraram na lista.

 

A crise não é exclusividade da imprensa carioca, nem da brasileira. O New York Times está tão perdido quanto a Editora Abril, e assim por diante. A revolução provocada pela tal ‘desintermediação’ que a internet trouxe a vários segmentos da economia, especialmente da economia criativa, chegou com força total à indústria da comunicação de massa. O furacão do ‘faça-você-mesmo’ já deixou cambaleante a indústria fonográfica, já obrigou Hollyowood a se reinventar, está causando calafrios nas redes de TV por conta das séries produzidas diretamente pelas Netflix da vida — e agora é o jornalismo que enfrenta uma encruzilhada fatal. Com uma diferença fundamental: jornalismo não é entretenimento. Uma imprensa livre, forte e ética é uma das premissas básicas de qualquer democracia moderna.


O problema é que produzir notícias para uma imprensa livre, forte e ética custa muito caro. E as pessoas não estão mais dispostas a pagar por informação — tanto quanto não estão mais dispostas a pagar por música, por filmes, por diversão. E aí começa o primeiro nó a ser desatado: quando foi que a informação passou a se equiparar ao entretenimento?

 

O segundo nó é ainda mais complexo e irreversível, e tem relação direta com a mudança disruptiva que nos atinge ao mesmo tempo em que acontece a revolução tecnológica. Trata-se do efeito da chamada ‘bolha dos filtros’, termo cunhado pelo ativista político e escritor Eli Pariser:

 

Cada vez mais, o monitor do nosso computador é uma espécie de espelho que reflete nossos próprios interesses, baseando-se na análise de nossos cliques feita por observadores algorítimicos.

 

Ou seja: embora nem sempre a gente pare para pensar nisso, cada vez mais estamos vendo apenas aquilo que já víamos antes. Os algoritmos do Google, do Facebook, dos sites de e-commerce e até das primeiras páginas de alguns portais de notícias filtram os conteúdos que nos são mostrados, com base em conteúdos que já foram vistos por nós. Isso quer dizer que até as supostas novidades são, na verdade, mais do mesmo.

 

Nosso mundo é uma bolha e muitas vezes não nos damos conta disso.

 

Este recurso é, sem dúvida, muito útil e, principalmente, confortável. (Sem falar no quanto é lucrativo para as empresas que oferecem anúncios extremamente direcionados, mas isso é outra conversa.) Só que, como disse uma amiga jornalista, o papel da imprensa é ser desconfortável. E dentro da bolha dos filtros, segundo o pensador que a definiu, “há menos espaço para os encontros fortuitos que nos trazem novas percepções e aprendizados.”


É ainda Eli Pariser quem sentencia:

 

Naturalmente, não há caminho de volta. Nem deveria haver: a internet ainda tem o potencial de ser um meio melhor para a democracia do que a imprensa tradicional, com seus fluxos unidirecionais de informação. Como ressaltou o jornalista A. J. Liebling, a liberdade de imprensa existia apenas para quem tivesse uma prensa. Agora, todos nós temos.

 

É isso mesmo. O mundo pós-internet é um mundo mais democrático, onde as pessoas têm mais acesso à informação, onde os veículos de comunicação — todos controlados por grandes conglomerados econômicos — têm um pouco menos de poder, onde os jornalistas terão que ser muito mais criativos para conseguir descobrir onde estão as verdadeiras e importantes notícias.

 

Só não consigo acreditar num mundo sem jornalistas.

 

Eli Pariser é “O” cara. Para conhecer mais,

veja a palestra dele no site dos TED Talks.

(Foto Knight Foundation publicada

sob licença CC-BY-SA-2.0)

 

 

***

 

Esta também foi uma semana marcada pela morte de uma criança refugiada, uma tragédia que chocou o mundo, cujas consequências poderão mudar a forma como os governos dos países da Europa e do mundo desenvolvido estão lidando com a crise provocada pelo Estado Islâmico na Síria e na Turquia.

 

Isso tudo por causa de uma imagem.

 

Mas não custa lembrar que esta imagem só pôde ser feita porque havia um repórter fotográfico posicionado na hora certa, no lugar certo, para mostrar a tragédia ao mundo. Podemos não gostar de ver certas imagens, mas é preciso que elas sejam mostradas. O mundo nem sempre é um lugar bonito de se ver, mas se não o vemos, certamente ele ficará cada vez mais feio.

 

Temos que pensar num jeito de não deixar que os jornais se tornem “longas cartas para ninguém”. Houve um tempo em que informação era poder, porque era escassa. Hoje, sofremos com o information overload. Há que se encontrar um ponto de equilíbrio.

 

 

 

 

 

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