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Ninguém sabe o que ninguém faz

February 15, 2017

Conhecer as pessoas é fácil, cultivar o networking é útil, mas você realmente sabe o que seus amigos fazem profissionalmente?
 

Outro dia estava conversando com uma amiga que passou por um breve período de desemprego — ou talvez eu devesse dizer que ela tirou três meses de sabático, ou estava em um momento between jobs — e ela contou que o pai tinha ligado para falar sobre uma vaga ótima para o perfil dela. Só que na verdade a tal vaga não tinha nada a ver com o que minha amiga faz profissionalmente.

 

Eu comentei: é curioso como nossos pais têm dificuldade de entender o que nós fazemos. Me referia ao fato de que comunicação é mesmo uma área de fronteiras meio fluidas, especialmente essa comunicação moderna, em que tudo é digital e tem nomes complicados que as “pessoas do século passado” não compreendem muito bem. Mas aí minha amiga respondeu com muita sagacidade com uma verdade: ninguém sabe o que ninguém faz. Eu também não sei o que meu pai faz. 

 

Aí nos lembramos do personagem Chandler Bing, de uma antiga série de TV chamada Friends, estrelada por seis protagonistas — cinco deles tinham profissões bem definidas, por mais estranhas que fossem (um deles era paleontólogo). Mas o Chandler era o profissional do mundo corporativo. Aquele que fazia coisas que ninguém entendia, e que, no fundo, não vinham ao caso. Minha amiga concluiu: somos todos Chandler Bings.

 

Ele trabalha com… com… alguém quer um café expresso?

(Arte de Mystic Soul, licença Creative Commons by-nc-nd)

 

 

Temos a ilusão de que antigamente era mais fácil: as pessoas eram médicos, advogados, engenheiros, dentistas, contadores, professoras, militares, e um leque de mais umas dez ou vinte carreiras que todo mundo seguia. Mas talvez isso seja mesmo só uma ilusão. Afinal, saber que Fulano é um engenheiro significa que na prática você sabe o que o Fulano faz no seu dia de trabalho? Acho que não.

 

De toda forma, hoje o cenário é um pouco mais complexo. Mais de vinte anos atrás, quando decidi estudar jornalismo, eu pensava que seria repórter do Jornal do Brasil. Afinal, era isso o que um jornalista fazia. Pois bem, excetuando um estágio de um mês no Correio Braziliense, na época em que Fernando Collor era presidente e Cazuza ainda era vivo, nunca trabalhei na mídia impressa. Pouco tempo depois, fui para a TV Manchete e já começou aí a confusão. Ninguém da minha família entendia que eu trabalhava em televisão mas não aparecia no telejornal. E quando tentava explicar o que fazia uma editora de texto, aí a situação piorava: ou eles achavam que eu era chefe dos repórteres (aos 25 anos de idade!), ou paravam de prestar atenção na segunda frase.

 

Depois que fui trabalhar com comunicação digital, a coisa se complicou ainda mais. É difícil até para quem é da área estabelecer a fronteira entre o que é o trabalho do jornalista e o que é tarefa do designer ou do desenvolvedor. E ainda por cima, para dar uma roupagem corporativa e moderna a trabalhos que sempre existiram mas agora têm uma versão, digamos, cibernética, fomos criando nomes complicados, herméticos mesmo. A boa e velha redação de textos virou produção de conteúdo (dica: é isso que eu faço, pessoal, escrevo textos). Mas preparar aulas para cursos de Educação à Distância também é produção de conteúdo. Criação de roteiros para cinema, tanto de ficção quanto não-ficção, é uma atividade que leva o mesmo nome. E agora, José?

 

 

 Ela mexe com essa coisa de internet.

 

 

Diante de tudo isso, se quisermos fazer esse tal networking de verdade, precisamos prestar atenção. Conversar, escutar, abrir as perspectivas, entender realidades diversas. O mundo anda tão complicado, e para acompanhá-lo é necessário aprender o outro.

 

 

 

 

 

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